Madre Rita: Uma Mulher de Esperança

«Esta é a mulher extraordinária que a Igreja propõe hoje, como modelo ao povo cristão…»

No dia 28 de maio de 2006, na Sé Catedral de Viseu – em Portugal, aconteceu a Beatificação de Rita Amada de Jesus. Cerimônia presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, enviado do Santo padre Bento XVI que em sua Carta Apostólica declara:

«[…] com a nossa Autoridade Apostólica concedemos que a Venerável Serva de Deus, Rita Amada de Jesus, fundadora do Instituto Jesus Maria José, que dedicou toda a sua vida em prol da família, de hoje em diante possa ser chamada Beata, e que sua festa se celebre, nos lugares e nos modos estabelecidos pelo direito, no dia 24 de setembro de cada ano».

Na sua homilia do Cardeal Saraiva, proferida no dia da beatificação, encontramos pérolas preciosas que nos apontam para Madre Rita como uma Mulher de Esperança. Diz-nos que “é neste contexto profundamente espiritual e missionário, que a Beata Rita Amada de Jesus acaba de ser elevada às honras dos altares. Não seria possível encontrar um contexto mais apropriado para a sua beatificação”.

A nova Beata viveu um período muito difícil, devido à situação da Europa e à conjuntura interna de Portugal. […] Ainda muito nova, ela intuiu como poucos, a grande importância do problema da educação, sofrendo com a falta de uma escola em Ribafeita e amadurecendo a ideia de abrir aí, uma escola para meninas pobres e abandonadas, com a finalidade de contribuir para a construção de um forte tecido ético através da sua formação. Antecipou assim o processo de valorização da mulher, cujas metodologias podem ainda servir de inspiração para análogos esforços nos nossos dias.

Rita tinha 32 anos, quando a 24 de setembro de 1880, vencendo não poucas dificuldades de natureza política  e religiosa, fundou na sua paróquia um colégio para educação de meninas e simultaneamente o Instituto das Irmãs de Jesus Maria José, inspirada na Sagrada Família de Nazaré.

Diz-nos ainda o Cardeal que «a espiritualidade da Beata Rita baseia-se toda ela, na mais absoluta fidelidade a Deus e ao próximo, sem hesitações nem subterfúgios. Foi esse o binômio que orientou sempre a sua vida e a sua atividade apostólica».

Traços da espiritualidade e missão de Madre Rita, apontados pelo Cardeal Saraiva:

  • A terna devoção mariana, em particular do Santo Rosário, antecipando de certo modo, a mensagem de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima.
  • Madre Rita foi também uma enamorada de Jesus na Eucaristia, do Coração de Jesus e da Sagrada Família. Daí provinha a formidável energia do seu zelo apostólico, da sua grande aventura espiritual.
  • O seu amor a Cristo levou-a a abrir-se aos outros, a ir ao seu encontro convidando-os a viver uma vida renovada em Cristo.
  • MULHER DE ESPERANÇA que soube ler os sinais dos tempos, que pediam respostas novas e corajosas para as necessidades de então: as diversas formas de pobreza, tanto materiais como morais e espirituais da sociedade.
  • Ela lutou com todas as forças pela libertação da mulher de toda e qualquer escravidão e, portanto, pela sua promoção em todos os seus aspectos; pela sua instrução e formação, para que pudesse viver em plenitude a sua dignidade de pessoas e de filhos de Deus.
  • Ela empenhou-se na restauração da dignidade da família – ameaçada de desagregação segundo o espírito da Família de Nazaré.
  • Ela própria se empenhava em visitar as famílias, sobretudo as dilaceradas por divisões, infidelidades e vícios, chegando a envolver-se em situações delicadas, a ponto de receber, por isso, ameaças de morte.  E quantas vezes hospedou na sua paterna mulher desejosas de conversão e de serenidade.

«Madre Rita não se cansava de dizer que, na base da família, está sempre o amor um amor não egoísta, mas generoso aberto à vida».

  • Para além da libertação e promoção da mulher e da renovação da família, Madre Rita trabalhou com grande paixão pela formação humana e cristã das jovens e das crianças. (…)

Diz-nos ainda: «podemos ler no Patrimônio Espiritual que ela estava ela convencida que a vida inteira depende dos princípios recebidos na infância: por isso, entregou-se com tanto zelo à obra da educação das meninas, constituindo este aspecto um dos pontos principais das suas constituições: acolher as crianças pobres e abandonadas». Não há dúvida de que é a educação, sobretudo dos jovens e das crianças que depende o futuro de um país e de toda a sociedade, o futuro da Europa e do mundo de amanhã. Eis o grande ensinamento de Madre Rita, eis a sua grande mensagem para o homem do nosso tempo. E conclui:

«Esta é a mulher extraordinária que a Igreja propõe hoje, como modelo ao povo cristão. Uma mulher extremamente sensível à realidade do seu tempo, encarnada no ambiente beirão em que viveu.; uma mulher forte corajosa, concreta, que se deu totalmente a Deus e aos irmãos; uma mulher cheia de amor, de fé e de esperança; uma mulher que, iluminada pelo Espírito, concebeu, e viveu, a santidade, como a plenitude de humanidade» (síntese da homilia do Saraiva).

Nesta mulher extraordinária encontramos uma protagonista da Esperança, dizia ela:  «Senti–me inspirada a percorrer algumas freguesias e a orar nas capelas, a rezar o terço a Nossa Senhora e a ensinar o catecismo. Ao mesmo tempo procurava informar-me onde havia pessoas escandalosas pedindo ao Senhor a conversão de todas elas» (Aut. 07).  Aí está uma autêntica APÓSTOLA DA EUCARISTIA, DO ROSÁRIO E DA FAMÍLIA

Madre Rita no início do seu trabalho apostólico encontrou na oração do terço a estratégia pastoral e de proximidade para conseguir a conversão das pessoas. De sua casa paterna onde se rezava o terço em família, saia pelas aldeias rezando com as crianças, jovens e adultos. Apóstola do Rosário, busca inspirar-se na devoção Mariana a sua ação missionária.

Foi também uma verdadeira Apóstola da Eucaristia. Desde muito jovem, em sua vida e apostolado cultivou grande amor a Jesus Eucarístico e a Confissão, percorria quilômetros a pé, para recebê-los. Da vivência desses Sacramento hauriu a força interior para realizar o Projeto de Deus. Do seu amor a Jesus irradiava a força do Carisma: O anúncio do Evangelho da conversão.

Madre Rita é Apóstola da Família aprendeu, na Escola de Nazaré, contemplar a Sagrada Família e desta experiência brotou seu grande amor à família, especialmente às crianças e aos jovens. Trabalhou incessantemente pelo resgate da dignidade da mulher. Ainda muito jovem percorria as aldeias, a rezar o terço nas famílias, instruindo-as na fé e vivência cristã.  Considerava a família como célula principal da sociedade, elemento insubstituível para a formação humana e cristã, torna-se protagonista no anúncio da conversão junto das famílias, dos pobres e pecadores.

Ir. Leonir Tomazi, jmj
Vice-Postuladora Causa de Canonização da Beata
Rita Amada de Jesus